Crítica de "Animais Fantásticos e Onde Habitam" #6

Crítica de 'Animais Fantásticos e Onde Habitam' #6 | Ordem da Fênix Brasileira
"Animais Fantásticos" resgata magia encantadora de "Harry Potter"
Por Raquel Carneiro | Veja


Há cinco anos, Harry Potter, Ron e Hermione se despediam das telas de cinema com estonteantes 7,7 bilhões de dólares em bilheteria mundial, quantia somada por oito filmes. Para além de uma franquia rentável, o universo criado por J.K. Rowling impulsionou, para jovens e adultos, o gênero de fantasia — filtro usado pela autora britânica para falar de temas nada lúdicos, como preconceito, morte e autoridades questionáveis.

A mesma tríade guia a nova fase do universo mágico nas salas de cinema. Animais Fantásticos e Onde Habitam, que estreia nesta quinta-feira, é um nostálgico, encantador e também sombrio retorno ao mundo onde bruxos entram por portas secretas, sacam varinhas e feitiços, e se organizam em submundos velados aos olhos dos Trouxas (ou não-majs, como são chamados os humanos não-bruxos nos Estados Unidos).

Sai o garoto inseguro de óculos arredondados e entra o estranhamente charmoso Newt Scamander (Eddie Redmayne), um magizoologista britânico que chega à Nova York da década de 1920 com uma maleta invejável. O objeto serve como um "depósito" de animais fantásticos, cuidados pelo bruxo como se fossem fofos gatinhos. No futuro, seu inventário dará origem ao livro didático de mesmo nome do filme e que será estudado por Harry e colegas de Hogwarts, 70 anos depois.

Logo em sua chegada, Scamander tromba com Jacob (Dan Fogler), um não-maj que cai de paraquedas na aventura porvir. Quando parte do criadouro escapa pelas ruas da cidade, a dupla ganha o reforço da rigorosa Porpentina (Katherine Waterston) e sua fascinante irmã Queenie (Alison Sudol) na caçada.

Entre cenas de perseguição e animais criados por computação gráfica, uma trama paralela envolvendo uma poderosa força oculta evidencia intolerâncias habituais e suas consequências. Caso de uma organização anti-bruxos que promove reuniões, protestos e ações violentas contra os integrantes do mundo paranormal. Do outro lado, mágicos repudiam qualquer relacionamento entre humanos não-majs e bruxos. A rixa pauta o crescimento do vilão Grindelwald, o maior bruxo das trevas antes de Lord Voldemort. Em jornais internacionais, o clima político fictício foi comparado com os atuais acontecimentos no mundo real. A opinativa J.K., roteirista do longa, chegou a dizer que Voldemort não era tão mau quanto o presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump. Olhando pelo lado bom, pelo menos ele não tem uma varinha para gritar Avada Kedavra.
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