Crítica de "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" #1

Crítica de 'Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald' #1 | Ordem da Fênix Brasileira
"Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" — Um filme sombrio que surpreende pelas reviravoltas audaciosas
Por Vinícius Muniz | Ordem da Fênix Brasileira

Quando "Animais Fantásticos e Onde Habitam" foi lançado em 2016, houve muitos elogios sobre as atuações do elenco principal, o roteiro, a fotografia e o figurino — este último, inclusive, rendeu o primeiro Oscar à franquia. O filme, considerado como encantador e envolto na magia de 'Harry Potter" termina com o vilão Gerardo Grindelwald (Johnny Depp) sendo capturado pelo MACUSA, o Congresso Mágico dos Estados Unidos.

O início de "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" é tenso e trata exatamente sobre a prisão de Grindelwald e a segurança máxima que o MACUSA promove para o vilão, inclusive com o corte de sua língua para evitar que faça novas vítimas com seu poder de persuasão.

Mesmo com toda a segurança orquestrada por Madame Presidente Serafina Picquery (Carmen Ejogo), Grindelwald consegue fugir durante uma transferência e, com a revelação de que o vilão não era ele mesmo (usando novamente a técnica de disfarce do primeiro filme), percebemos o quão sombria é a proposta do filme.

O elenco continua incrível. Eddie Redmayne (Newt Scamander, agora em Londres) mantém o nível de excentricidade de seu personagem. Katherine Waterston (Tina Goldstein) e Alison Sudol (Queenie Goldstein) têm seus destaques — detalhe à parte, as cenas de Queenie são um dos vários pontos altos do filme, inclusive quando compartilhadas com seu par romântico e Não-Maj Jacob Kowalski (Dan Fogler), que também é o alívio cômico. Credence Barebone/Corvus Lestrange (Ezra Miller) e Nagini (Claudia Kim) procuram apoio um no outro, enquanto o rapaz continua sua busca para saber a própria (e verdadeira) identidade. Callum Turner (Teseu Scamander, irmão de Newt) e Zoë Kravitz (Leta Lestrange) integram o elenco com boas atuações de acordo com seus personagens que ganham desenvolvimento no decorrer da história. As cenas em Hogwarts trazem muita nostalgia e familiaridade, além de algumas referências importantes para os fãs que estão atentos a todos os detalhes.

Jude Law (Alvo Dumbledore) e Johnny Depp (Gerardo Grindelwald) entregam, sem dúvidas, as melhores atuações deste filme. Law consegue referenciar as interpretações de Richard Harris ("Pedra Filosofal" e "Câmara Secreta") e Michael Gambon (a partir de "Prisioneiro de Azkaban") como o professor calmo e amigável que conhecemos, mas igualmente estrategista, tendo como característica sua qualidade em guiar as peças de xadrez da trama.

Johnny Depp não parece em nada com a maioria de seus personagens icônicos, entonando o vilão que interpreta, com vários discursos eloquentes que beiram a realidade política mundial.

As criaturas mágicas compõem o espetáculo visual do filme, onde o 3D é muito bem aplicado. A trilha sonora de James Newton Howard é primorosa e consegue ser equilibrada em cenas leves e momentos épicos.

Embora o filme pareça ser muito desconexo em alguns momentos, as subtramas que aparecem fazem com que o espectador (sendo fã ou não) se sinta confuso, mas existe a certeza de que serão explicadas nos próximos filmes, pois dificilmente Rowling não fechará cada arco como se espera.

O suspense para o filme seguinte repete a perspicácia da autora nos capítulos dos livros de "Harry Potter": deixa o público curioso e, ao mesmo tempo, abre oportunidades para questionamentos sobre a continuação baseados nas revelações controversas apresentadas, principalmente, nos momentos finais. Sim, o futuro mudará para sempre. E que venha o próximo filme!