Mais críticas sobre o filme "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"

Mais críticas sobre o filme 'Harry Potter e o Enigma do Príncipe'Recentemente foram divulgadas mais três críticas sobre o filme "Harry Potter e o Enigma do Príncipe". Duas críticas foram divulgadas pelos sites Pipoca Combo e Universo Animado.

A outra crítica foi um comentário feito num programa do canal MTV, o Acesso MTV:
Hoje eu estava assistindo ao Acesso MTV, que passa no canal MTV. Eles estavam falando sobre cinema, quando começaram a falar de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe". Um cara lá falou que o filme é uma decepção, o pior filme da serie. Fiquei morrendo de raiva. Só deram criticas e nenhum elogio...

Confira um pedaço das outras duas críticas:
Universo Animado - Outro ponto forte do filme é a relação de Harry e Dumbledore, que definitivamente atinge um novo patamar nesse filme, oscilando em momentos amigo-amigo e pai-filho, com diálogos repletos de metáforas e sentimentalismo, o que foi uma grande sacada do diretor como última tentativa para tentar cativar os fãs em relação ao Dumbledore de Michael Gambon. E a tentativa foi um êxito.

Pipoca Combo
- Não é mentira que o roteiro exerce inúmeros cortes que eram o foco de atenção dos leitores. Contudo, o modo como a "sobra" foi amarrada é fruto de uma competência tamanha que torna insignificante, na tela, o que foi perdido. De fato, muito das origens e atos de Tom Riddle quando jovem entraram pelo armário sumidouro e se perderam. Mas Steve Kloves manteve o essencial para criar uma linha narrativa dinâmica e coerente, justificando cada ação dos personagens, dando-lhes o tempo e o argumento suficientes para valorizarem sua presença.
Confira as duas críticas completas, clicando em "Leia Mais".


Crítica "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"
9 de Julho de 2009
Luís Guilherme

Universo Animado

Na ultima terça-feira, nós, do Universo Animado, tivemos o imenso prazer de assistir ao filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe. A sessão estava repleta de jornalistas ávidos para ver o resultado da mais nova produção, que a priori foi vítima de criticas em virtude do inesperado adiamento, para descontentamento dos fãs. Mas já digo de antemão que cada segundo de espera valeu muito à pena.

O filme começa com cenas bem impactantes, como o ataque ao beco diagonal e à ponte de Londres, e mantém um ritmo bastante dinâmico, com cortes de cenas muito bem trabalhados. Nas cenas do beco diagonal sentimos de fato a mágica do filme, uma mágica que estava se esvaindo nos últimos filmes, mas que é belamente recuperada nesse capítulo da saga, o que é denotado pelas cenas na Loja dos Weasleys. Uma característica marcante do diretor David Yates é o apego a fatos passados, o que já foi notado na Ordem da Fênix (cenas de filmes passados, foto de Cedrico nas sessões da Armada Dumbledore), e que nesse filme mais uma vez desponta notoriamente, com referências a fatos passados; as cenas do beco diagonal estão repletas desses elementos, tanto o resgate de fatos passados quanto a magia pueril dos primeiros filmes.

O humor do filme está impecável e incisivo, e as melhores cenas são dadas pelo relacionamento de Rony e Lilá, que desperta risadas do público a todo instante. Paradoxalmente, esse romance rende algumas cenas bastante emocionantes, na vertente da reação de Hermione, que começa a perceber que nutre sentimentos fortes por Rony. A atuação da Emma Watson se mostra tão natural e pura, que é impossível não se emocionar.

E finalmente temos Quadribol de volta, e com grande estilo. Os efeitos estão impecáveis e as cenas estão extremamente rápidas e dinâmicas, como todo bom jogo de Quadribol deve ser. Uma pena que a partida em si seja bastante curta, sendo principalmente focada nas artimanhas de Rony como goleiro.

Outro ponto forte do filme é a relação de Harry e Dumbledore, que definitivamente atinge um novo patamar nesse filme, oscilando em momentos amigo-amigo e pai-filho, com diálogos repletos de metáforas e sentimentalismo, o que foi uma grande sacada do diretor como ultima tentativa para tentar cativar os fãs em relação ao Dumbledore de Michael Gambon. E a tentativa foi um êxito.

Jim Broadbent interpreta fantasticamente Slughorn, e rende ótimas cenas no decorrer do filme, quer pela sua própria atuação, quer pelas circunstancias em que se encontra, como a cena do Clube do Slugue, que é de ótimo gosto e humor.

O trio principal está mais entrosado que nunca, o que é reflexo tanto do amadurecimento profissional dos atores quanto da direção apurada, e finalmente denotam a amizade que víamos nos livros. Pelo andar das coisas, poderemos esperar um show a parte do trio no próximo filme da série.

Como já mencionado em inúmeras resenhas, a fotografia do filme está meticulosamente trabalhada, com tomadas belas, repletas de nuanças e ângulos inusitados. Muitos recursos de filmagem se esbanjam nas cenas envolvendo a penseira, cujo conceito de arte está extremamente interessante, e funcionando muito bem na tela, com memórias bem concisas, porém suficientes para a trama.

Esse filme mescla o que há de melhor na série: o clima de novidade, alvoroço e magia dos dois primeiros fimes, momentos sombrios do terceiro, humor do quarto, só que muito mais refinado, e atuações e resgate de eventos do quinto filme. Essa miscelânea finalmente criou o filme que muitos fãs estavam esperando, um filme que faz jus ao sucesso da série, um filme que desperta as mais diversas emoções, que nos fornece momentos de risada, sustos, lágrimas e ansiedade.

Como adorador de cinema, posso dizer que o filme foi feliz em todos seus aspectos: dirigido com afinco, fotografia impecável, atuações memoráveis, efeitos inacreditáveis e narrativa fluente. Como fã, posso dizer que não consegui ficar mais que cinco minutos com os olhos secos.




Crítica "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"
9 de Julho de 2009
Arthur Melo

Pipoca Combo

O problema se arrasta desde a estréia de "Harry Potter e a Pedra Filosofal". Os produtores da série cinematográfica baseada na mais aclamada obra literária da história nunca conseguiram agradar completamente aos fãs. E se formos nos ater àqueles que se agarram nas páginas escritas por J.K. Rowling e as estendem à frente cobrando fidelidade, então é em "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" que David Heyman (produtor da fita) esteve mais distante de obter sucesso. O longa é, de longe, o menos recorrente à trama original para estabelecer o seu roteiro. Entretanto, decepcionados ou satisfeitos, os seguidores da autora escocesa terão de concordar: "Enigma do Príncipe" merece reverências.

Desprezemos sinopse abreviada para introdução, afinal, é o tipo de conteúdo que se encontra em qualquer texto avaliativo do longa. O que interessa, de fato, é como tudo foi conduzido. A trama do homônimo literário gira em torno de um livro encontrado por Harry na primeira aula de Poções no sexto ano de escola e percorre o passado “íntimo” de Lorde Voldemort a fim de encontrar brechas que expliquem como ele alcançou o poder rapidamente. Além, obviamente, dos hormônios que entram em ebulição e corroem os jovens tão rápido quando a Poção do Morto-Vivo experimentada em classe.

"Enigma do Príncipe" é um livro centrado. Toda sua abordagem é referente ao que virá a ser útil em seu último capítulo e as poucas sub-tramas se transformam num valioso método de evidenciar a essência dos personagens adolescentes numa etapa importante da vida. Curiosamente, o filme tende a aproveitar mais este termo de segundo plano, mas sem precisar desmerecer a linha central.

Não é mentira que o roteiro exerce inúmeros cortes que eram o foco de atenção dos leitores. Contudo, o modo como a “sobra” foi amarrada é fruto de uma competência tamanha que torna insignificante, na tela, o que foi perdido. De fato, muito das origens e atos de Tom Riddle quando jovem entraram pelo armário sumidouro e se perderam. Mas Steve Kloves manteve o essencial para criar uma linha narrativa dinâmica e coerente, justificando cada ação dos personagens, dando-lhes o tempo e o argumento suficientes para valorizarem sua presença.

Ao contrário de alguns dos filmes anteriores, "Enigma do Príncipe" consegue atribuir aos menos favorecidos dentro da história um lugar ao Sol; e isso se amplia graças ao bom trabalho do elenco. Rony Weasley é visível como a veia cômica do longa. O entrosamento de Rupert Grint com Jessie Cave (que vive Lilá Brown) surtiu um bom resultado, brotando passagens divertidas e sem exageros. Emma Wattson também progrediu. Mesmo estando um pouco distante do talento de Rupert, a atriz é mais segura em suas expressões faciais e movimentações em cena, dando maior fluidez à Hermione – que protagoniza ótimas cenas de descaso para com os galanteios de Córmaco McLaggen. O romance em tela é um ponto que contraria expectativas. Se antes a ideia soava desnecessária e controvérsia, ao atentar para o resultado final, tudo se torna plausível. Enquanto algumas mensagens são delicadas, outras resultam em verdadeiras matérias-prima ao riso, contrabalanceando no centro da projeção com o tom obscuro que se aloja em cada canto de Hogwarts; além, é claro, de servir como válvula para dar espaço certo na história para os adolescentes. Definitivamente, um êxito inesperado.

Mas não é só a qualidade do roteiro e o seu desenrolar ao longo das duas horas e meia que se destacam. O apuro artístico do impecável elenco britânico é invejável. A atuação de Helen McCrory como Narcisa Malfoy vale os poucos minutos em tela, ao passo que Helena Bonhan Carter manteve o mesmo tom anterior como Bellatrix Lestrange. Já Michael Gambon profere falas de efeito em alguns momentos e de humor leve em outros sem destoar como o Professor Alvo Dumbledore. Mas os destaques ficam para Alan Rickman (Severo Snape) e Jim Broadbent (Horácio Slughorn) – que atinge um nível de brilhantismo tão incomum que se torna o próprio conceito de Horácio. O primeiro prova sua superioridade diante dos demais no comando de um papel de coadjuvante enquanto o segundo demonstra conforto e interesse em cada linha dita pelo novo professor de Poções. Snape (agora professor de Defesa Contra as Artes das Trevas) é a maior fonte do humor negro em "Enigma do Príncipe", deixando para Slughorn os atributos de um humorista nato.

O que já era usual nos filmes da série Potter, o avanço técnico em relação aos capítulos anteriores, retorna. Em "Prisioneiro de Azkaban", Bicuço, o hipogrifo, foi o centro das atenções e despontou a franquia no bom uso da computação gráfica. Em "Cálice de Fogo", dragões, sereianos e labirintos tomaram a frente. No mais recente "Ordem da Fênix", os efeitos visuais vieram para mostrar o quão violento pode ser o mundo bruxo sob fogo cruzado. Agora, a qualidade técnica se liga ao dote artístico. A fotografia de Bruno Delbonnel é impecável. Como diretor desta área, Delbonnel soube com extrema competência explicitar o que cada cena representa; tudo através do bom jogo de luz, sombra e filtros que atribuem a tonalidade certa aos momentos, sem exceções. Fora a não intimidação diante da necessidade de interagir com os efeitos visuais que o diretor David Yates soube comandar muito bem. Seu uso é unicamente para ajudar a contar uma história, sem abusos. A direção de arte também se renovou, assim como os figurinos. Em seis filmes, o conteúdo dos corredores de Hogwarts já está impresso num mapa na mente do público. Mas ainda há para onde evoluir. A Sala Precisa reaparece lotada dos mais diversos objetos bruxos que formam uma composição visual cheia e atraente tamanha complexidade, enquanto a loja dos irmãos Weasley é um primor por apresentar elementos divertidos em uma passagem despretenciosa – um deles, aliás, resgata uma “querida” personagem do longa anterior.

O ato de conter-se fez das cenas de ação pouco presentes, contudo, suficientes e satisfatórias. Um dos grandes méritos de “Enigma” é justamente este: o filme não se sustenta em seqüências mirabolantes recheadas de pura pirotecnia hollywoodiana, e alcança a qualidade através de uma narrativa bem arquitetada. Enquanto tantas superproduções apelam para a batalha visual, esta as diminui, valorizando-as quando existentes. Um mérito também da direção. Agora mais firme e ousado, Yates não poupa planos aéreos, utiliza a visão ampla e bons manejos da câmera para enaltecer a ação – a exemplo estão o treino e a espetacular partida de Quadribol.

A perspectiva diferenciada e mais melancólica do universo mágico faz do sexto filme um título, talvez, distante do que já vinha sendo apreciado na tela. Gradativamente, a película prepara o público para o espetáculo final que está por vir, recorrendo sabiamente à emoção. De qualquer forma, a empreitada pode ser perigosa. Afinal, num momento em que o público clama por tantas movimentações articuladas pelos fabulosos efeitos visuais em um único longa, uma produção como "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" pode se encontrar em apuros por não se prestar a encher de caraminholas imprestáveis a cabeça dos fãs. Mas se houver um mínimo de comprometimento e interesse da platéia em apreciar o emocional de um produto tão visado como este, então o jovem Potter certamente terá mais companhia na sua caçada pelas horcruxes. Mas, sinceramente, alguém ainda duvida dessa possibilidade?


Obrigado, ScarPotter!
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